O mito do déficit proteico

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RESUMO

Dados epidemiológicos apontam que o consumo de alimentos de origem animal nos países de alta renda é excessivo e prejudicial à saúde. Mas é frequente, tanto na literatura científica como nos documentos das organizações multilaterais, a associação entre pobreza e carência de proteínas. Há uma armadilha conceitual neste vínculo, que consiste em concentrar a atenção em um nutriente e não no conjunto do padrão alimentar. Em 1974, num texto que se tornou um clássico da ciência da nutrição, Donald McLaren já mostrava o erro das organizações multilaterais de desenvolvimento em focar seus esforços na oferta de proteínas (inclusive sob formas industrializadas) sem levar em conta que, com raras exceções, quando se alcança suficiência energética, dificilmente haverá déficit proteico. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 a 2018 ajudam a desfazer esse mito: mesmo entre os 20% mais pobres da população brasileira, é ínfima a proporção dos que apresentam ingestão proteica insuficiente.

https://rsp.fsp.usp.br/wp-content/uploads/articles_xml/1518-8787-rsp-59-e21/1518-8787-rsp-59-e21-pt.x35944.pdf

ABSTRACT Epidemiological data shows that the consumption of animal-based foods in high-income countries is excessive and harmful to health. But the association between poverty and protein deficiency is frequent, both in scientific literature and in the documents of multilateral organizations. There is a conceptual trap in this link, which consists of focusing on one nutrient and not on the whole dietary pattern. In 1974, in a text that has become a classic of nutrition science, Donald McLaren has already highlighted the mistake made by multilateral development organizations in focusing their efforts on protein supply—often in industrialized forms—without considering that, in most cases, once energy needs are met, protein deficiency is unlikely to occur. Data from the 2017–2018 Consumer Expenditure Survey helps to dispel this myth: even among the poorest 20% of the Brazilian population, the proportion of those with insufficient protein intake is tiny.

https://rsp.fsp.usp.br/wp-content/uploads/articles_xml/1518-8787-rsp-59-e21/1518-8787-rsp-59-e21.x35944.pdf

Ricardo Abramovay, Nadine Marques Nunes-Galbes, Fernanda Helena Marrocos-Leite, Eduardo Augusto Fernandes Nilson, Maria Laura da Costa Louzada

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