Como o avanço foi menor que o necessário, em 2009 a exigência de diminuição nas emissões já não era de 2% anuais e sim de 3,4%. O que se conseguiu? Meros 0,7%. A taxa de descarbonização continou positiva, porém menor. Só que em 2010 e 2011, nem mais esta descarbonização insuficiente foi alcançada: cada unidade de valor da economia mundial foi produzida sobre a base de mais emissões que no ano anterior: a discreta sobriedade que marca os textos das grandes consultorias globais não impediu o desabafo: dirty recovery. A cada ano que passa sem que a meta de declínio nas emissões seja atingida, o tamanho da diminuição necessária fica maior. Em 2011 ele já era de 5%!

No banco dos réus, China, Índia e o drama de oferecer os recursos materiais, energéticos e bióticos necessários a enfrentar o maior desafio de nosso tempo, que é emancipar da miséria absoluta os bilhões de pessoas que aí, escandalosamente, ainda se encontram. Mas esta é apenas parte da verdade. O último inventário das emissões norte-americanas2 mostra que o peso das emissões dos transportes individuais continua imenso e é crescente.

Além disso, a independência energética do país vem sendo buscada por meio das formas mais predatórias de obtenção de energia fóssil: as areias asfálticas canadenses, o xisto betuminoso e as perfurações no Ártico que o degelo da calota polar, decorrente do aquecimento global, tornou possível. Isso sem falar do carvão, do qual os EUA são grandes produtores e consumidores.Esta é uma das raízes centrais do fato de que o mundo gasta hoje seis vezes mais com subsídios aos combustíveis fósseis que com energias renováveis. E apenas 10% destes subsídios são apropriados pelos mais pobres. Pior: o reconhecimento crescente de que o automóvel individual é a pior forma de se garantir mobilidade e que seu predomínio é um dos obstáculos para a emergência de cidades sustentáveis não impede que o próprio setor trabalhe com o horizonte de mais um bilhão de carros até 2020 na economia global.

Este é apenas um exemplo do contraste que pode haver entre produção de riqueza e obtenção de real prosperidade. Um passo importante na governança global do desenvolvimento sustentável será dado se a Rio+20 reconhecer que o PIB não só mede de forma equivocada a riqueza, mas que ele apresenta como úteis e necessários bens e serviços que muitas vezes contribuem para piorar a vida das pessoas e degradar os recursos ecossistêmicos dos quais todos dependemos.

1. http://www.pwc.com/en_GX/gx/low-carbon-economy-index/assets/Low-Carbon-Economy-Index-2011.pdf
2. http://www.epa.gov/climatechange/emissions/downloads12/US-GHG-Inventory-2012-ES.pdf

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