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	<title>Ricardo Abramovay</title>
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	<description>Para juntar economia e ética, sociedade e natureza</description>
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		<title>Ricardo Abramovay na CPFL Cultura: Muito Além da Economia Verde</title>
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		<pubDate>Wed, 15 May 2013 11:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gabiagustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Video gravado no dia 28 de junho de 2012, disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/2012/06/28/muito-alem-da-economia-verde-ricardo-abramovay/ A ideia de uma possível escassez de recursos naturais e do persistente problema das desigualdades sociais e econômicas entre os povos, colocaram em questão o modelo de desenvolvimento das sociedades contemporâneas. A dificuldade natural de impor limites ao crescimento nos coloca diante de uma reflexão: qual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Video gravado no dia 28 de junho de 2012, disponível em: <a href="http://www.cpflcultura.com.br/2012/06/28/muito-alem-da-economia-verde-ricardo-abramovay/" target="_blank">http://www.cpflcultura.com.br/2012/06/28/muito-alem-da-economia-verde-ricardo-abramovay/</a></p>
<p>A ideia de uma possível escassez de recursos naturais e do persistente problema das desigualdades sociais e econômicas entre os povos, colocaram em questão o modelo de desenvolvimento das sociedades contemporâneas. A dificuldade natural de impor limites ao crescimento nos coloca diante de uma reflexão: qual o sentido que queremos imprimir naquilo que fazemos? Produzimos para que e para quem? Neste programa, o sociólogo e economista Ricardo Abramovay aponta para Muito Além da Economia Verde: pensar em novas formas de consumo e em uma ética produtiva que realmente gere benefícios para as sociedades contemporâneas. Fala ainda sobre novas formas de desenvolvimento e a necessidade de se reinventar a economia.</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/65755417" frameborder="0" width="400" height="300"></iframe></p>
<p><a href="http://vimeo.com/65755417">Muito além da economia verde | Ricardo Abramovay</a> from <a href="http://vimeo.com/cpflcultura">instituto cpfl cultura</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
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		<title>O automóvel depois do carrocentrismo</title>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 12:09:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gabiagustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A indústria automobilística depara-se com o potencial de transformação para colocar seus produtos a serviço da vida social]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Abandonando as formas arcaicas de fazer negócios, a indústria automobilística depara-se com o extraordinário potencial de transformação para colocar seus produtos a serviço da vida social</em></p>
<p>Artigo publicado na Revista Página 22 em 08/05/2013, disponível em: <a href="http://www.pagina22.com.br/index.php/2013/05/o-automovel-depois-do-carrocentrismo/" target="_blank">http://www.pagina22.com.br/index.php/2013/05/o-automovel-depois-do-carrocentrismo/</a></p>
<p>É possível recuperar o papel revolucionário que teve o automóvel individual no desenho das cidades, na mobilidade das pessoas e na própria cultura das sociedades contemporâneas? Que os carros particulares tenham perdido este papel já é hoje lugar-comum: ineficientes sob o ângulo energético, vetores do estrangulamento na circulação, responsáveis por desenhos urbanos desumanizados, é cada vez menos óbvia a associação entre esses veículos e a liberdade à qual estiveram ligados até meados do século XX.</p>
<p>Optar por essa forma de deslocamento, hoje, envolve um risco crescente de ver-se preso a uma caixa fechada que favorece a emergência do que cada um de nós tem de pior e que Nilton Bonder <a href="http://bit.ly/ZqhnqZ" target="_blank">chama de autoviolência.</a> Além disso, os custos sociais (evidentemente, não pagos) do automóvel individual são exorbitantes: <a href="http://bit.ly/UJpcV1" target="_blank">a Technische Universitat</a>, de Dresden, estima-os em nada menos que 373 bilhões de euros anuais, só na União Europeia.</p>
<p>Será possível então que o automóvel, síntese de algumas das mais importantes inovações do século XX, volte a ter um papel fundamental na emergência de cidades sustentáveis e deixe de ser o emblema da paralisia e do desperdício material e energético a que hoje se vincula?</p>
<p>A <a href="http://bit.ly/YG9eP0" target="_blank">KPMG </a>e a <a href="http://bit.ly/pQ6etO" target="_blank">Roland Berger</a>, duas das mais importantes consultorias globais, mobilizaram suas equipes para ouvir dirigentes da indústria automobilística no mundo todo a respeito desse tema. O resultado é fascinante e mostra uma indústria com um extraordinário potencial de transformação para colocar  seus produtos a serviço da vida social que,  ao mesmo tempo, está diante de obstáculos cruciais, que a fazem persistir em formas arcaicas de fazer negócios.</p>
<p>A primeira transformação que já está  em curso foi batizada pela KPMG de “carro conectado”. As mídias digitais serão decisivas não só no funcionamento da própria máquina, mas, sobretudo, na sua ligação com as cidades, pela possibilidade de indicar onde  há congestionamentos e quais os melhores horários e trajetos para evitá-los. Na segurança dos veículos e no monitoramento dos próprios motoristas, as tecnologias da informação vão desempenhar papel cada vez mais importante. A eficiência dos motores a combustão interna pode aumentar muito em razão do uso dessas tecnologias. Novos materiais (como fibras de carbono) tornarão os carros mais leves e mais econômicos.</p>
<p>Mas há uma segunda dimensão revolucionária do carro conectado: ela já permite que a economia da partilha ocupe lugar central no uso do automóvel. O estudo da KPMG prevê que em 2026 a partilha será, por exemplo, a opção preferida de um quarto dos brasileiros que usam transporte individual, por meio de sistemas de aluguel baseados em dispositivos móveis, como os que hoje já começam a existir em várias cidades do mundo.</p>
<p>A terceira transformação, mostra a Roland Berger, é que o próprio modelo de negócio das grandes montadoras globais está ultrapassado. Companhias não automobilísticas talvez estejam mais aptas a levar adiante projetos inovadores neste setor. Empresas automobilísticas são mais rígidas e hierarquizadas e mudam com maior dificuldade que as de tecnologia da informação. O atual modelo do negócio automobilístico continua norteado pela oferta: o traço fundamental <em>deste push model </em>consiste em investir cada vez mais em novas fábricas, na expectativa de vender mais e mais carros.</p>
<p>O problema é que, segundo os  dois estudos, o horizonte de ampliação permanente na produção e venda de automóveis individuais choca-se contra um mercado em estado de saturação. Segundo a Roland Berger, o mundo tem capacidade para produzir 90 milhões de veículos e a demanda é de apenas 69 milhões. Os dados da KPMG são basicamente os mesmos. Ao mesmo tempo, os dois estudos revelam que, no mundo todo, o carro deixa de ser a grande aspiração de consumo das jovens gerações. E, no entanto, os investimentos para  ampliar a oferta, sobretudo nos países em desenvolvimento, não cessam de expandir.</p>
<p>Não se trata de preconizar uma sociedade sem carros. Trata-se, sim, de constatar  que os avanços recentes na conectividade e na eficiência material e energética dos automóveis só ganharão sentido se estiverem a serviço de cidades organizadas em função das pessoas. E, para isso, a indústria precisa aprender a oferecer serviços de mobilidade, e não cada vez mais carros.</p>
<p><em><a href="http://www.ricardoabramovay.com/" target="_blank">RICARDO ABRAMOVAY </a>É PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA FEA E DO IRI/USP E AUTOR DE </em>MUITO ALÉM DA ECONOMIA VERDE<em>. TWITTER: @ABRAMOVAY</em></p>
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		<title>Professor da USP relata avanço no segmento de energias renováveis</title>
		<link>http://ricardoabramovay.com/2013/04/professor-da-usp-relata-avanco-no-segmento-de-energias-renovaveis/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Apr 2013 21:29:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Em entrevista ao Jornal da Record, o professor Ricardo Abramovay falou sobre um relatório que analisa o esforço mundial para limpar a matriz energética global. Acompanhe a entrevista completa: http://noticias.r7.com/record-news/videos/211-jornal-da-record-news/professor-da-usp-relata-avanco-no-segmento-de-energias-renovaveis/517096976b71ee72ad3627cc/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em entrevista ao Jornal da Record, o professor Ricardo Abramovay falou sobre um relatório que analisa o esforço mundial para limpar a matriz energética global. Acompanhe a entrevista completa:</p>
<p><iframe src="http://player.r7.com/video/i/517096976b71ee72ad3627cc?layout=wide252p" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" width="448" height="315"></iframe></p>
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		<title>Site mostra em tempo real o número de barris de petróleo produzidos no mundo</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Apr 2013 21:27:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Ricardo Abramovay participou do Jornal da Rádio Record em 19 de abril de 2013. Durante a entrevista a Heródoto Barbeiro,  o jornalista exibiu o instrumento digital que mede a produção de petróleo no mundo. Veja a matéria em vídeo: http://noticias.r7.com/record-news/videos/211-jornal-da-record-news/site-mostra-em-tempo-real-o-numero-de-barris-de-petroleo-produzidos-no-mundo/5170a700b61c0a056521faf5/]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo Abramovay participou do Jornal da Rádio Record em 19 de abril de 2013. Durante a entrevista a Heródoto Barbeiro,  o jornalista exibiu o instrumento digital que mede a produção de petróleo no mundo.</p>
<p>Veja a matéria em vídeo:</p>
<p><iframe src="http://player.r7.com/video/i/5170a700b61c0a056521faf5?layout=wide252p" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" width="448" height="315"></iframe></p>
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		<title>Virar o jogo contra as mudanças climáticas</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Apr 2013 18:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gabiagustini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A possibilidade de vitória na luta contra o horizonte catastrófico representado pelas mudanças climáticas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo no dia 08 de abril de 2013, disponível em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1258144-virar-o-jogo-contra-as-mudancas-climaticas.shtml">http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1258144-virar-o-jogo-contra-as-mudancas-climaticas.shtml</a></p>
<p>As sociedades contemporâneas têm hoje a possibilidade real de vitória na luta contra o horizonte catastrófico representado pelas mudanças climáticas.</p>
<p>Esaa visão otimista apoia-se em dois conjuntos de circunstâncias, chamados por <a href="http://paulgilding.com/" target="_blank">Paul Gilding</a> (o celebrado autor de The Great Disruption) de pontos de virada, ou &#8220;tipping points&#8221;. A expressão refere-se ao acúmulo de fatores que, a partir de certo patamar, revoluciona, de maneira quase sempre irreversível, a dinâmica de um determinado sistema.</p>
<p>Economistas e sociólogos usam-na para explicar alterações bruscas de comportamentos coletivos. E é exatamente disso que se trata quando está em questão a mutação de uma ordem social apoiada em combustíveis fósseis para uma organização em que energias renováveis tenham o papel preponderante.</p>
<p><span id="more-2336"></span></p>
<p>Primeiro ponto de virada: o uso de combustíveis fósseis durante a última década colocou a espécie humana numa situação de alto risco. A continuar no ritmo atual, o aumento de temperatura previsto para 2060 é de 4ºC. E, como diz o recente relatório do <a href="http://climatechange.worldbank.org/sites/default/files/Turn_Down_the_heat_Why_a_4_degree_centrigrade_warmer_world_must_be_avoided.pdf" target="_blank">Banco Mundial</a> que contém essa previsão, não há qualquer sinal de que a humanidade esteja preparada para adaptar-se a tal mudança na temperatura global média. Se esse limite for atingido, prossegue o relatório, será difícil evitar a perspectiva de 6ºC de elevação da temperatura no início do próximo século, com o aumento no nível do mar entre 50 centímetros e um metro.</p>
<p>Mas, se é assim, onde está o ponto de virada?</p>
<p>Ele se encontra no fato de que as mudanças climáticas estão deixando de ser uma preocupação fundamentalmente ecológica ou ambiental e passam a ser um fator decisivo do próprio cálculo dos mais importantes atores econômicos globais.</p>
<p>Essa mudança de percepção se traduz na ideia de fósseis não passíveis de serem queimados, ou, na excelente expressão em inglês, &#8220;unburnable carbon&#8221;. Um relatório recente do HSBC mostra que, se o carbono contido no carvão, no petróleo e no gás detido pelas maiores petrolíferas europeias (BP, Shell, Statoil, ENI e Total) não for queimado, isso fará com que elas percam entre 40% e 60% de sua previsão de receita.</p>
<p>O cálculo se apoia num artigo publicado na<a href="http://www.nature.com/nature/journal/v458/n7242/full/nature08017.html" target="_blank">&#8220;Nature&#8221; em 2009</a> : se a humanidade optar por uma chance de 50% de não elevar a temperatura global média além de dois graus, as emissões de gases de efeito estufa entre 2000 e 2050 (o que os especialistas chamam de orçamento carbono) não poderão ultrapassar 1.440 gigatoneladas.</p>
<p>O conceito de orçamento carbono é fundamental: ele não aponta para o limite na disponibilidade de combustíveis fósseis e sim para o ponto além do qual queimar carbono ameaça a atmosfera e, portanto, as condições que permitem a reprodução da própria vida. Não se trata apenas de saber qual a riqueza existente e sim qual a possibilidade de que esta riqueza seja usada sem destruir os fundamentos da convivência social.</p>
<p>Pois bem, das 1.440 gigatoneladas de CO2 que poderiam ser queimadas até 2050 (para manter o limite de dois graus na elevação da temperatura), já foram usadas, desde 2000, nada menos que 400 GT CO2. Ou seja, mais de um quarto do orçamento carbono para cinco décadas foi usado em pouco mais de dez anos. Resta então algo em torno de 1.000 GT CO2, para que o limite de dois graus seja respeitado. Como as reservas conhecidas de combustíveis fósseis são de 2.860 GT CO2, isso significa que somente cerca de um terço dessa riqueza potencial pode transformar-se em utilidade real (e ganho econômico).</p>
<p>O resultado é obviamente devastador para as empresas cuja estratégia consiste fundamentalmente em explorar combustíveis fósseis. Ou então será devastador para a espécie humana. Mas, insiste Gilding, há indícios de que se forma uma coalizão social voltada a evitar o pior cenário. Esta coalizão não envolve apenas ativistas, mas também segmentos crescentes do meio empresarial, da comunidade científica e das administrações públicas.</p>
<p>E aí reside o segundo ponto de virada. O avanço nas energias renováveis está superando as mais otimistas expectativas. Nos Estados Unidos, nos últimos cinco anos, o preço do kW produzido por painéis solares caiu de US$ 5 para US$ 0,50. Em 14 Estados norte-americanos, a energia solar já é mais barata que a <a href="http://www.triplepundit.com/2013/03/solar-power-pure-economics/" target="_blank">convencional</a>.</p>
<p>Um relatório recente do gigante financeiro <a href="http://qualenergia.it/sites/default/files/articolo-doc/UBS.pdf" target="_blank">UBS</a> mostra que os domicílios europeus já reduzem suas contas de eletricidade por meio da instalação de painéis solares, cujos custos de produção caíram drasticamente nos últimos anos.</p>
<p>Um dos países em que a energia solar melhor funciona é a pouco ensolarada Alemanha. O relatório prevê que a autoprodução de energia com base em painéis solares deve chegar, em 2020, a 14% na Alemanha, 18% na Espanha e 17% na Itália. Desde a Revolução Industrial, a eficiência na oferta de energia ligou-se sempre à concentração e ao poder de firmas gigantescas.</p>
<p>A virada está não só na perspectiva de redução dos fósseis, mas no avanço de formas descentralizadas e conectadas em rede de produção de energia.</p>
<p>Quais as consequências deste cenário para o Brasil?</p>
<p>É verdade que o país avançou de maneira expressiva na produção de energia eólica, embora o mesmo não possa ser dito da solar. O problema é que, quando se comparam os investimentos e o esforço de inovação em fósseis com o empenho em fortalecer a matriz energética renovável, fica claro que a opção brasileira atual é por fortalecer, na prática, a coalizão social, que, em termos globais, prospera com o avanço dos combustíveis fósseis.</p>
<p>O risco é duplo: por um lado, perda de valor das atividades petrolíferas, que hoje consomem parcela decisiva dos investimentos nacionais. Por outro, e mais grave, o Brasil continuará na retaguarda da inovação do que há de mais significativo em termos de energia renovável.</p>
<p>São questões que vão muito além da briga pela divisão dos royalties do petróleo.</p>
<p><strong>RICARDO ABRAMOVAY</strong>, professor titular da FEA e do IRI/USP, pesquisador do CNPq e da Fapesp, é autor de &#8220;Muito Além da Economia Verde&#8221;, ed. Planeta Sustentável.</p>
<p><strong>twitter</strong>: <a href="http://twitter@abramovay/" target="_blank">@abramovay</a></p>
<p><strong>e-mail</strong>: <a href="mailto:abramov@usp.br" target="_blank">abramov@usp.br</a></p>
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		<title>Não a melhor do mundo, mas sim a melhor para o mundo</title>
		<link>http://ricardoabramovay.com/2013/03/nao-a-melhor-do-mundo-mas-sim-a-melhor-para-o-mundo/</link>
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		<pubDate>Mon, 11 Mar 2013 13:15:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoabramovay</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A emergência de um novo tipo de empresa, que redefine o sentido do êxito nas economias de mercado]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Artigo publicado em 11/03/2013 no jornal Folha de S. Paulo, disponível em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1242924-nao-a-melhor-do-mundo-mas-sim-a-melhor-para-o-mundo.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1242924-nao-a-melhor-do-mundo-mas-sim-a-melhor-para-o-mundo.shtml</a></p>
<p>As mais importantes certificações socioambientais existentes até hoje concentram-se em produtos ou em procedimentos produtivos. No caso do Forest Stewardship Council (o FSC, bastante conhecido no Brasil), por exemplo, o que se assegura é que a madeira ou a celulose foram produzidas em condições que não ferem o meio ambiente e respeitam a dignidade dos trabalhadores do setor.</p>
<p>Um selo orgânico garante que não foram usados fertilizantes químicos ou agrotóxicos no cultivo dos produtos. O &#8220;fair trade&#8221; (comércio justo) assegura boas condições de trabalho e termos de troca que, mais do que reflexos da oferta e da demanda, embutem a preocupação explícita de que uma parte significativa dos lucros da cadeia em questão vá aos que se encontram na base de sua pirâmide social.</p>
<p><span id="more-2301"></span></p>
<p>Além destes selos, existem também organizações globais (como o <a href="https://www.globalreporting.org/Pages/default.aspx" target="_blank">Global Reporting Initiative</a>), que auxiliam as empresas a elaborar relatórios voluntários pelos quais seus acionistas e os principais atores que com elas se relacionam possam conhecer seu desempenho socioambiental. É um fascinante processo evolutivo que já se encontra em sua quarta geração e que inclui um exame cada vez mais aprofundado de diferentes dimensões da atividade das empresas que dele participam.</p>
<p>Nenhuma dessas iniciativas, entretanto, tem objetivo tão ambicioso como o daquela que se formou nos Estados Unidos em 2006 e que hoje existe em 24 países, abrangendo 60 setores econômicos e mais de 700 empresas: Benefit Corporation é um movimento empresarial que se define explicitamente pela missão de usar o poder dos negócios para resolver problemas socioambientais. Esse movimento ganhou tal força que acabou por gerar uma legislação específica que prevê direitos e obrigações para empresas que assumam os compromissos de uma Benefit Corporation.</p>
<p>Não se trata apenas de atestar a qualidade de um produto ou de um processo produtivo, o que, sem dúvida é muito importante. Tampouco se trata de relatar os avanços graduais feitos por grandes organizações no que refere à emissão de gases de efeito estufa ou ao uso de água. O que marca o sistema Benefit Corporation não é, tampouco, algum atributo técnico ou científico que tenha revolucionado os próprios parâmetros de avaliação do comportamento empresarial.</p>
<p>O segredo da Benefit Corporation é que, embora se trate de um compromisso voluntário, uma vez assumido, ele passa a ter força legal, como explica Maria Emilia Corra, empresária chilena, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=d7V_TaEeHN8" target="_blank">neste vídeo em espanhol</a>. A empresa se compromete a ser avaliada por um corpo independente que verifica se, de fato, ela tem um impacto material e significativo naquilo que se propõe a fazer. E este compromisso torna-se uma obrigação jurídica.</p>
<p>Se, por exemplo, a empresa Benefit Corporation passar por uma situação difícil em que ela queira adiar o cumprimento de seus compromissos socioambientais para preservar sua rentabilidade, sua direção pode ser processada e punida formalmente por descumprimento de cláusulas contratuais tão poderosas quanto a própria geração de lucros.</p>
<p>O Chile já está discutindo uma legislação em que esse tipo de empresa possa enquadrar-se. E certamente essa discussão também terá lugar no Brasil, onde já existe aquilo que nos países de língua espanhola vem sendo chamado de &#8220;empresas B&#8221;. A que está agora articulando a montagem do sistema no Brasil é o CDI, empresa voltada para a inclusão digital e cujo <a href="http://www.cdi.org.br/" target="_blank">site</a> vale a pena ser visitado.</p>
<p><a href="http://guayaki.com/" target="_blank">Guayaki</a>, por exemplo, é uma empresa que atua no mercado norte-americano de refrigerantes e que tem como objetivo não apenas remunerar os acionistas, sem provocar destruição ou respeitando as leis, mas, mais que isso, regenerar a Mata Atlântica e valorizar o trabalho dos agricultores que cultivam a erva-mate. Seu site mostra o avanço já obtido nessas duas direções. Uma <a href="http://www.cercoconstructora.cl/sistema/home.php" target="_blank">empresa chilena de construção</a> fez da reinserção social de presidiários comuns uma das bases de sua atuação, com resultados impressionantes.</p>
<p>O mecanismo lembra a iniciativa do navegador mitológico Ulisses que, ávido para escutar o canto das sereias, mas sabedor de que tal melodia, fatalmente, atraía o ouvinte para o fundo do mar, cria um ardiloso artifício: tapa o ouvido de todos os membros da tripulação e amarra-se a um mastro do navio. Assim pode deleitar-se com o que ouve e, ao mesmo tempo, quando implora desesperado a seus companheiros que o deixem partir, seduzido pelo som encantador das sereias, estes não têm como cumprir suas ordens.</p>
<p>Ao se tornar uma Benefit Corporation, a empresa faz mais do que certificar um aspecto de suas atividades ou relatar o quanto evoluiu em suas práticas: ela assume um compromisso com parâmetros de desempenho que envolvem sua governança e sua transparência, a relação com seus empregados, com fornecedores, com clientes, com entidades beneficientes, com o território em que se situam, além de uma série de parâmetros ambientais. O importante é que a decisão de adotar esses compromissos com força legal acaba por nortear o próprio processo de inovação da empresa em direção a práticas socioambientalmente sustentáveis.</p>
<p>Nos Estados Unidos, em que as leis referentes à relação entre empresas e acionistas são estaduais, 11 Estados já possuem legislação prevendo esta forma de organização empresarial e espera-se que, ainda neste semestre, Delaware (onde se concentra grande número de corporações norte-americanas) também passe a permitir este tipo de firma</p>
<p>Um novo modelo de organização empresarial está surgindo e seu lema é muito emblemático: não se trata de ser a melhor do mundo, mas de ser a melhor para o mundo. Isso significa algo decisivo para o empreendedorismo que é uma redefinição do próprio sentido do êxito nas sociedades e nas economias contemporâneas.</p>
<p>Quando as empresas B se difundirem largamente, a separação entre empreendedorismo social e empreendedorismo privado vai soar como o resquício de uma era em que ainda havia hostilidade entre o mundo da economia e as aspirações da sociedade.</p>
<p><strong>RICARDO ABRAMOVAY</strong>, professor titular da FEA e do IRI/USP, pesquisador do CNPq e da Fapesp, é autor de &#8220;Muito Além da Economia Verde&#8221;, ed. Planeta Sustentável.</p>
<p><strong>twitter</strong>: <a href="http://twitter@abramovay/" target="_blank">@abramovay</a></p>
<p><strong>e-mail</strong>: <a href="mailto:abramov@usp.br" target="_blank">abramov@usp.br</a></p>
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		<title>O antropoceno e os limites da Terra</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Mar 2013 14:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gabiagustini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2013]]></category>
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		<category><![CDATA[Valor Econômico]]></category>

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		<description><![CDATA[ É urgente definir os limites planetários dentro dos quais a prosperidade pode manter-se e ampliar-se]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Artigo publicado em 05/03/2013 no jornal Valor Econômico, disponível em: <a href="http://www.valor.com.br/cultura/3031108/o-antropoceno-e-os-limites-da-terra#ixzz2MfyQAZZn">http://www.valor.com.br/cultura/3031108/o-antropoceno-e-os-limites-da-terra#ixzz2MfyQAZZn</a></p>
<p>Apesar de seu sabor levemente metafísico, a expressão &#8220;busca humana&#8221; refere-se a algo que não poderia ser mais concreto: o grande desafio da espécie humana é impedir a supressão das condições biogeofísicas que deram base à civilização tal como a conhecemos. O período interglacial extraordinariamente estável que marcou os últimos dez mil anos é o único estado planetário capaz de oferecer apoio à vida social. É verdade que a existência do homem na Terra vem de muito antes, algo entre cem e duzentos mil anos. Mas foi somente com a amenidade e a estabilidade do clima nos últimos dez mil anos que a revolução neolítica e a fantástica diversificação cultural e material que a ela se seguiu tornaram-se possíveis. Durante estes cem séculos, as variações médias de temperatura nunca foram superiores a um grau.</p>
<p><span id="more-2281"></span></p>
<p>O problema é que, de 1960 para cá, o aumento da temperatura global média já chegou a 0,8 grau. Esse registro climático é acompanhado da degradação em outras áreas cruciais do sistema Terra: nove mil espécies de plantas e dez mil espécies animais encontram-se ameaçados e o ritmo de extinção das espécies é hoje cem vezes superior a sua taxa natural. Nada menos que 40% da superfície terrestre são ocupados com atividades agropecuárias. O volume do gelo marítimo no Ártico foi dividido por cinco desde 1979.</p>
<p>Estas são apenas algumas evidências que permitiram às mais importantes sociedades científicas da área falar em uma nova era geológica, o antropoceno. Seu traço central é que a humanidade tornou-se a principal força de mudança geológica do planeta. Os efeitos de suas ações são mais ameaçadores que os originários de asteroides, erupções vulcânicas ou movimentos de placas tectônicas. A capacidade do planeta para continuar assimilando e atenuando os impactos vindos da pressão humana está dando visíveis sinais de esgotamento.</p>
<p>A junção entre ciência e arte, resultante da coautoria de Johan Rockstrom, autor de mais de cem artigos em revistas do calibre de &#8220;Science&#8221; e &#8220;Nature&#8221;, e do fotógrafo Mattias Klum não é casual: o texto e as impressionantes fotos deste livro insistem na urgência de se preservar a própria beleza do meio que permitiu o florescimento da vida social. Mais que isso, porém, o trabalho traz duas inovações decisivas na discussão sobre desenvolvimento sustentável.</p>
<p>A primeira foi apresentada na Rio+20 e em artigos recentes do grupo liderado por Rockstrom: é difícil imaginar tarefa científica mais urgente que a definição dos limites planetários dentro dos quais a prosperidade pode manter-se e ampliar-se. Rockstrom recupera e valoriza o trabalho do casal Meadows e do Clube de Roma (&#8220;Limites ao Crescimento&#8221;), mas introduz uma questão nova: qual o espaço seguro de operação cuja ultrapassagem impede que o planeta continue oferecendo os serviços ecossistêmicos que, até aqui, têm permitido o processo de desenvolvimento? A resposta está na delimitação de nove fronteiras planetárias, das quais o livro oferece métricas.</p>
<p>Mostra-se, inicialmente, onde devem situar-se esses limites para as mudanças climáticas, a depleção da camada estratosférica de ozônio e a acidificação dos oceanos. Em seguida, o livro expõe outros quatro processos e define seus limites: perda de biodiversidade, uso de água fresca, mudanças no uso da terra e ciclos do nitrogênio e do fósforo. A particularidade dessas dimensões é que, diferentemente das três anteriores, se exprimem de maneira fundamentalmente local, embora tenham, é claro, causas e consequências globais. As duas últimas fronteiras (materiais particulados ou aerossóis e poluição química) são produtos que emergem do sistema econômico e que possuem tal diversidade que não é fácil estabelecer seus limites de operação segura de maneira sintética.</p>
<p>O exame dessas nove fronteiras à luz do crescimento populacional, da expansão do consumo e do aumento das desigualdades não permite imaginar que as mudanças globais anunciadas pelo antropoceno serão graduais ou que, uma vez manifestados seus efeitos, seja facilmente possível revertê-los interferindo em suas causas. Uma das mais importantes contribuições científicas do centro de pesquisa dirigido por Rockstrom está na palavra central que lhe dá o nome: Stockholm Resilience Center. Resiliência não é equilíbrio ou crescimento constante e sim a capacidade de um sistema (um indivíduo, uma floresta, uma cidade ou uma economia) lidar com a mudança incremental ou abrupta e prosseguir em seu desenvolvimento. E junto à ideia de resiliência vem a noção decisiva de surpresa: as pesquisas levadas adiante pelo Stockholm Resilience Center mostram que os sistemas, longe de mudarem de forma contínua e gradativa, conhecem mudanças bruscas, inesperadas e, muitas vezes, irreversíveis. Um dos autores citados no livro resume a essência da noção de surpresa: &#8220;Noventa e nove por cento da mudança nos ecossistemas parecem acontecer como resultado de apenas um por cento dos eventos que afetam o sistema&#8221;.</p>
<p>É sobre essa base que Rockstrom critica a própria maneira como o desenvolvimento sustentável tem sido definido habitualmente nos documentos internacionais. O objetivo não pode ser o de continuar fazendo o que se fez até aqui, procurando, porém, &#8220;reduzir impactos&#8221;. Por um lado, é necessário colocar a relação entre sociedade e natureza no centro das próprias decisões econômicas. Por outro lado, porém, é fundamental ampliar nossa capacidade de lidar com a surpresa. E isso só se obtém pelo fortalecimento da resiliência, que pode ser também definida como a capacidade de um sistema absorver os distúrbios que o atingem, mantendo suas funções básicas. A variedade dos atuais sistemas socioecológicos é uma das premissas para que aumente nosso poder de lidar com a surpresa. E é exatamente essa diversidade que está sob ameaça.</p>
<p>Estamos vivendo na primeira metade da mais decisiva década da história humana. Não que o mundo vá acabar em 2020, mas parece fora de dúvida que o risco de mudanças abruptas, irreversíveis e potencialmente catastróficas aumenta muito se continuarmos na trajetória atual.</p>
<h3>&#8220;The Human Quest&#8221;</h3>
<p>iBook. Stockholm Text Publishing. 314 págs., US$ 9,99</p>
<p><strong>Ricardo Abramovay é autor de &#8220;Muito Além da Economia Verde&#8221; (Planeta Sustentável/Abril) e professor titular da FEA e do IRI/USP. Twitter: @abramovay</strong></p>
<p><a href="http://www.valor.com.br/cultura/3031108/o-antropoceno-e-os-limites-da-terra#ixzz2MfyQAZZn">http://www.valor.com.br/cultura/3031108/o-antropoceno-e-os-limites-da-terra#ixzz2MfyQAZZn</a></p>
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		<title>O fim do capitalismo das organizações</title>
		<link>http://ricardoabramovay.com/2013/02/o-fim-do-capitalismo-das-organizacoes/</link>
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		<pubDate>Thu, 07 Feb 2013 01:22:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoabramovay</dc:creator>
				<category><![CDATA[2013]]></category>
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		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Página 22]]></category>
		<category><![CDATA[Pavan Sukhdev]]></category>

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		<description><![CDATA[Um novo tipo de organização econômica emerge dos escombros do capitalismo corporativo que marcou a vida de quase todo o século XX]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Artigo publicado em 04/02/2013 e disponível em: <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2013/02/o-fim-do-capitalismo-das-organizacoes/">http://pagina22.com.br/index.php/2013/02/o-fim-do-capitalismo-das-organizacoes/</a></p>
<p><em>Quem terá o domínio das atividades econômicas do século XXI? A literatura mais recente traz duas respostas polares a esta questão crucial</em></p>
<p>Pavan Sukhdev, em <em>Corporation 2020, </em>enfatiza o papel cada vez mais importante das corporações na vida contemporânea.  Seu diagnóstico a respeito das grandes empresas é implacável: até aqui, sua marca emblemática é o ano de 1920, quando foi juridicamente consolidada nos Estados Unidos a ideia de que a firma existe exclusivamente para atender aos acionistas: utilizá-la para cumprir obrigações socioambientais não faz parte das razões de sua existência e pode ser contestado legalmente. <em>(Mais em </em><a href="http://ricardoabramovay.com/2012/12/procura-se-a-empresa-do-futuro" target="_blank">Procura-se a empresa do futuro</a><em> e na <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2012/11/correcao-de-rumo/" target="_blank">entrevista concedida por Sukhdev a Página22 na edição 69</a>)</em></p>
<p><span id="more-2257"></span></p>
<p>O ano de 2020, utilizado no título de seu livro, ecoa um conjunto de publicações originárias do meio empresarial mostrando  a incompatibilidade entre o modo de funcionamento da empresa atual e a urgência de que surja uma vida social orientada pela redução das desigualdades e pela preservação dos serviços ecossistêmicos dos quais dependem as sociedades humanas.</p>
<p>Seu foco é a organização empresarial  e as possibilidades de que esta se  transforme para fazer dos mercados um  meio de promover bem-estar, equidade  e regeneração, ao menos parcial, do que  já foi destruído até aqui. Esta abordagem  é partilhada por trabalhos recentes da <a href="http://goo.gl/knPp6" target="_blank">PricewaterhouseCoopers</a> sobre mudanças climáticas, <a href="http://goo.gl/F0O54" target="_blank">pelos da KPMG</a>, calculando os custos ambientais de funcionamento das companhias e <a href="http://goo.gl/R1Ksn" target="_blank">pelos da Deloitte</a> (cuja expressão mais completa é o último livro de John Elkington, <em>Os Zeronautas</em>).</p>
<p>Mas serão as corporações (mesmo que impulsionadas pelas mudanças radicais  que muitas consultorias globais preconizam em seus objetivos e em seus métodos) as organizações estratégicas da vida econômica das próximas décadas? Serão elas os vetores fundamentais da mutação para uma economia sustentável? Gerald Davis, da Universidade de Michigan, traz evidências de peso para responder a esta questão pela negativa.</p>
<p>Na verdade, a marca decisiva do capitalismo americano dos dias de hoje é o declínio e não o fortalecimento das corporações. Nos últimos 15 anos, a quantidade de empresas com ações em bolsa nos Estados caiu pela metade. As corporações respondem por parcela cada vez menor da produção material e do emprego. Mais que isso: suas funções históricas de promover coesão social por meio do acesso amplo a serviços de saúde e de aposentadoria deixaram de existir.</p>
<p>A proposta de fazer de cada cidadão o gestor de uma carteira de investimentos que lhe permitisse, por sua própria iniciativa, administrar sua previdência social e sua aposentadoria teve como resultado principal um aumento espantoso da pobreza e, sobretudo, das desigualdades na sociedade americana.</p>
<p>Um novo tipo de organização econômica emerge dos escombros do capitalismo corporativo que marcou a vida de quase todo o século XX, como mostra <a href="http://goo.gl/4qgNx" target="_blank">Gerald Davis</a> em um texto recente. Sua base material e tecnológica está no extraordinário potencial das mídias digitais em democratizar não só o mundo da cultura, mas, de forma crescente, a própria produção material e de energia. “Soluções locais para produzir, distribuir e partilhar podem oferecer alternativas funcionais às corporações tanto para a produção como para o emprego”, diz Davis.</p>
<p>A ideia de que a organização empresarial é capaz de reduzir drasticamente os  custos de transação e, em virtude disso,  de que as formas hierarquizadas de gerir recursos materiais, energéticos e bióticos são sistematicamente superiores às descentralizadas encontra-se hoje sob franca contestação. <a href="http://goo.gl/GMCfT" target="_blank">Tecnologias digitais </a>como a impressora em três dimensões e as máquinas de corte a laser levam ao mundo da matéria aquilo que a internet propiciou, nos últimos 20 anos, ao mundo da cultura.</p>
<p>Quando se juntam a essas novas técnicas o movimento em direção à oferta descentralizada de energia, o resultado é o desenho de uma vida econômica bem diferente daquela que marcou a era das corporações.</p>
<p>A grande virtude econômica da sociedade da informação em rede não  reside tanto no aumento das capacidades produtivas, mas numa dupla contestação daquilo que marca a civilização industrial. Em primeiro lugar, ela abre caminho para que a iniciativa individual e as formas localizadas de produção ganhem eficiência econômica  e disputem o coração da vida econômica em vários setores. Em segundo lugar, são formas de conceber, produzir e distribuir bens e serviços que se apoiam, cada vez mais, na cooperação social direta, na partilha.</p>
<p>Transformar as corporações em direção aos métodos e aos objetivos apontados nas sugestões recentes de várias consultorias globais é essencial. Mas tudo indica que o desenvolvimento sustentável vai apoiar-se cada vez mais na iniciativa econômica de indivíduos e comunidades locais com base em meios técnicos à disposição de sua criatividade e de seus talentos.</p>
<p><em>*Ricardo Abramovay é professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, é autor de</em> Muito além da Economia Verde. Twitter: @abramovay</p>
<div>Artigo publicado em 04/02/2013 e disponível em: <a href="http://pagina22.com.br/index.php/2013/02/o-fim-do-capitalismo-das-organizacoes/">http://pagina22.com.br/index.php/2013/02/o-fim-do-capitalismo-das-organizacoes/</a></div>
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		<title>O mito do veneno que salva (2)</title>
		<link>http://ricardoabramovay.com/2013/02/ignacy-sachs-comenta-artigo-sobre-a-prevista-expansao-da-exploracao-dos-fosseis-e-propoe-agenda-de-pesquisa/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2013 19:22:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ricardoabramovay</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ignacy Sachs]]></category>

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		<description><![CDATA[Ignacy Sachs comenta artigo sobre a prevista expansão da exploração dos fósseis e propõe agenda de pesquisa]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após ler o artigo , disponível na coluna Empreendedor Social do jornal Folha de S. Paulo, o economista Inacy Sachs enviou o email abaixo:</p>
<p>Caro Ricardo,</p>
<p>Acabo de ler o seu importante artigo. A conclusão a que cheguei é que não deveríamos tardar na elaboração de um plano mundial de produção e consumo de energia capaz de atender às necessidades de todos os que estão na base da pirâmide social mundial.</p>
<p>Os temas a serem tratados:<br />
a) minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente através de uma escolha apropriada das fontes de energia e das técnicas de produção, substituindo sempre que possível as energias fósseis por energias renováveis (questão em aberto: queremos ou não nos aventurar na energia nuclear?);<br />
b) ao mesmo tempo, limitar o consumo perdulário da energia por parte das elites privilegiadas e os desperdícios que ocorrem ao longo de toda a cadeia de produção, distribuição e consumo.</p>
<p><span id="more-2248"></span></p>
<p>Mais fácil de dizer do que fazer. De qualquer maneira, não podemos mais nos omitir da discussão de <strong>quotas de energia fóssil per capita</strong> a serem respeitadas para não precipitar catástrofes ambientais de consequências graves.</p>
<p>Quem poderia assumir a responsável e, por certo, difícil tarefa de equacionar este tema?</p>
<p>Seremos amanhã 9 bilhões. De quanta energia per capita necessitaríamos, ao postular níveis de vida e conforto razoáveis para todos e portanto convergentes, levando em conta as diferenças climáticas e os desníveis atuais de desenvolvimento socioeconômico?</p>
<p>Minha hipôtese de trabalho: <strong>sim, ainda podemos desenhar estratégias viávei</strong>s, à condição de não nos omitirmos da discussão dos limites ao consumo de energias fósseis a serem impostos aos grandes consumidores. As grandes questões a serem estudadas:<br />
- Qual a margem de manobra para reduzir o perfil da demanda energética por unidade de consumo final através do progresso técnico e da diminuição das distâncias a serem percorridas entre o lugar de produção e de consumo?</p>
<p>- Quais as barreiras para aumentar significativamente a eficiência no uso das energias fósseis (veja o livro de Robert e Edward Ayres,<span style="text-decoration: underline;"> </span><a href="http://www.amazon.fr/Crossing-Energy-Divide-Dependence-Clean-Energy/dp/0137015445/ref=sr_1_2?s=english-books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1360152476&amp;sr=1-2" target="_blank">Crossing the Energy Divide: Moving from Fossil Fuel Dependence to a Clean-Energy Future,</a>Prentice Hall, 2009)</p>
<p>- Qual o potencial de substituição das energias fósseis por energias renováveis?<br />
- Qual o futuro para a energia solar, levando em conta os progressos técnicos rápidos em curso (cf. Robert Ayres)?<br />
- Qual atitude frente à energia nuclear?</p>
<p>Obviamente, a resposta a estas perguntas implica sermos capazes de pensar o longo prazo e traduzí-lo em planos plurianuais de desenvolvimento a serem elaborados simultaneamente a nível dos Estados-Nações e das grandes regiões, esta última tarefa a cargo das comissões regionais da ONU.</p>
<p>Saudações cordiais e até breve,<br />
Inácio</p>
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		<title>O mito do veneno que salva</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Feb 2013 13:35:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gabiagustini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2013]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[exploração de carvão]]></category>
		<category><![CDATA[Folha de S. Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Greenpeace]]></category>
		<category><![CDATA[Pico do Petróleo]]></category>

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		<description><![CDATA[O notável avanço das fontes menos sujas (gás) e renováveis (eólica e solar) de energia pode tornar-se uma gota d’água no oceano fóssil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O capítulo 2 de Muito Além da Economia Verde aborda o chamado “pico do petróleo”. A expressão é usada para indicar o esgotamento das fontes mais abundantes deste recurso e a dificuldade cada vez maior em se extrair o produto do solo. Desde o segundo semestre de 2012, o ambiente intelectual com relação a este tema mudou muito. Por um lado, vários estudos insistem na ideia de que os recursos minerais do Planeta conhecem inédita volatilidade de preços, graças à insegurança de sua capacidade de suprirem a demanda crescente. Por outro lado, porém, novas tecnologias permitem a exploração de petróleo (e gás) em áreas até aqui pouco acessíveis: é o caso do gás de xisto na América do Norte, pré-sal brasileiro e das plataformas que se instalalam no Ártico. Só que os custos de exploração destes recursos vão aumentando: não só os custos econômicos, mas também os riscos de sua exploração. Este artigo traz uma boa notícia: o notável avanço das fontes menos sujas (gás) e renováveis (eólica e solar) de energia. Mas isso pode tornar-se uma gota d’água no oceano fóssil, como bem o mostra o relatório do Greenpeace.</p>
<p><span id="more-2241"></span></p>
<p>Artigo publicado em 5/02/2013 em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1225858-o-mito-do-veneno-que-salva.shtml" target="_blank">http://www1.folha.uol.com.br/<wbr>empreendedorsocial/colunas/<wbr>1225858-o-mito-do-veneno-que-<wbr>salva.shtml</wbr></wbr></wbr></a></p>
<p>É difícil encontrar problema contemporâneo mais importante que o resultante dos 14 maiores projetos de exploração de carvão, petróleo e gás pelo mundo afora. Por um lado, cada um deles representa uma bênção a seus países de origem, oferecendo horizonte palpável de solução para a dependência energética (caso dos EUA), para a pobreza (caso da China) ou para a educação (caso do Brasil).</p>
<p>Mas, quando se somam essas iniciativas, a bênção se converte em maldição: estudo recente divulgado pelo <a href="http://www.greenpeace.org/canada/Global/canada/report/2013/01/Point-of-no-return.pdf" target="_blank">Greenpeace</a> ] mostra que a queima adicional de combustíveis fósseis decorrente apenas dessas 14 niciativas vai lançar na atmosfera, em 2020, o correspondente a tudo o que os EUA emitem hoje em gases de efeito estufa.</p>
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<p>Como a exploração de combustíveis fósseis exige pesada estrutura de instalação e de distribuição (minas, poços, oleodutos, gasodutos, postos de gasolina), isso significa que esses 14 projetos colocam a humanidade num &#8220;ponto de não retorno&#8221; (título do trabalho do Greenpeace) com relação às mudanças climáticas.</p>
<p>A dimensão física do sistema de energia baseado em fósseis já é gigantesca. Ela se amplia a cada investimento adicional em carvão, petróleo e gás. Entre 2000 e 2008, por exemplo, a China investiu nada menos de US$ 300 bilhões em novas minas de carvão. A amortização desses investimentos só vai acontecer entre 2030 e 2040. Essas instalações continuarão funcionando até 2060, segundo um importante relatório das <a href="http://www.un.org/en/development/desa/policy/wess/wess_current/2011wess.pdf" target="_blank">Nações Unidas</a>. Investimentos em fósseis têm um impacto sobre a vida social que se prolonga por décadas.</p>
<p>O resultado é aterrador: seis graus de elevação da temperatura global média até o final do século. É bom lembrar a convergência crescente entre os governos, as organizações multilaterais, a sociedade civil, o número crescente de empresas e a esmagadora maioria da comunidade científica de que o aquecimento derivado da emissão de gases de efeito estufa não deveria ir além de dois graus. O rumo atual é três vezes superior ao limite mencionado quase exaustivamente em conferências e documentos internacionais.</p>
<p>É verdade que novas tecnologias permitem obter combustíveis fósseis cuja exploração até recentemente era inviável: é o caso do gás de xisto e do pré-sal. Não é menos certo que essa exploração pode trazer benefícios econômicos, sociais e até geopolíticos fundamentais. É possível até que as ameaças ambientais desses projetos não sejam tão grandes quanto o habitualmente alardeado. Na maior parte dos casos, eles são acompanhados de promessas relativas à captação e à armazenagem de carbono ou à garantia de que os conhecimentos atuais impedirão que se repitam tragédias como a que atingiu o Golfo do México em 2010.</p>
<p>Nada disso, entretanto, elimina o mais importante e que, sobretudo no caso pré-sal brasileiro, não tem ocupado lugar devido no debate público: aumentar nessa proporção o uso de combustíveis fósseis coloca o conjunto da sociedade numa rota cujos perigos são apenas prenunciados pelo furacão Sandy, pelos incêndios florestais na Rússia, em 2010, ou pelo ciclone que chegou a Santa Catarina poucos anos atrás.</p>
<p>No mundo todo, crescem os investimentos em energias renováveis e em tecnologias explicitamente voltadas a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Alguns dias após a divulgação do relatório do Greenpeace, a Bloomberg e o <a href="http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/:http://www.worldenergyoutlook.org/publications/weo-2012/">Business Council for Sustainable Energy</a>] publicaram um estudo que mostra o declínio das fontes tradicionais de energia nos Estados Unidos e uma elevação muito expressiva da participação do gás (que é fóssil, mas não tão sujo quanto o carvão e o petróleo) e de renováveis na matriz energética do país.</p>
<p>O trabalho enfatiza também os ganhos de eficiência no uso da energia por parte da indústria e dos domicílios. Um avanço certamente fundamental que justifica a afirmação: &#8220;Uma revolução está transformando a maneira como os americanos produzem, consomem e pensam sobre energia&#8221;. Esse avanço, entretanto, corre o risco de ser ofuscado pelo estrago advindo da oferta adicional de combustíveis fósseis em diferentes países, mencionados e quantificados no trabalho do Greenpeace.</p>
<p>Em vez simplesmente de surfar na onda do atraso representada por esses investimentos, o Brasil teria muito mais a ganhar caso consolidasse sua matriz energética menos dependente de fósseis que o resto do mundo, mas, ao mesmo tempo, se liderasse uma discussão global cujo ponto de partida só pode ser a pergunta: qual a quantidade de gases de efeito estufa que a economia mundial ainda pode emitir para que haja chance de não ultrapassar o limite de dois graus?</p>
<p>Em 2012, a Agência Internacional de Energia respondeu a essa pergunta com toda a clareza em seu <a href="http://www.bcse.org/flexpaper/php/simple_document.php?doc=BCSE_BNEF_Sustainable_Energy_in_America_2013_Factbook_Executive%20Summary.pdf" target="_blank">World Energy Outlook</a>] : se a civilização tiver prioridade diante da renda dos combustíveis fósseis, não mais que 30% das reservas hoje conhecidas poderão ser exploradas.</p>
<p>O problema é que a viabilidade econômica desaas explorações é incompatível com esse limite. Além disso, como a decisão referente a esses investimentos não é tomada levando em conta seus efeitos globais, cada país, cada empresa dá as costas aos evidentes impactos destrutivos desses projetos e age como se a oferta de combustíveis fósseis e o aquecimento global fossem dois temas independentes um do outro.</p>
<p>Não é sensato que o caminho para a redenção social, para a independência energética ou para qualquer outro objetivo relevante tenha como contrapartida a tão grande ampliação dos riscos a que a miopia dos governos e a ambição das empresas petrolíferas estão expondo a espécie humana.</p>
<p><strong>RICARDO ABRAMOVAY</strong>, professor titular da FEA e do IRI/USP, pesquisador do CNPq e da Fapesp, é autor de &#8220;Muito Além da Economia Verde&#8221;, ed. Planeta Sustentável.</p>
<p><strong>twitter</strong>: <a href="http://twitter@abramovay/" target="_blank">@abramovay</a></p>
<p><strong>e-mail</strong>: <a href="mailto:abramov@usp.br" target="_blank">abramov@usp.br</a></p>
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