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A humanidade já dispõe dos meios técnicos para descarbonizar a vida econômica. No entanto, da Conferência Climática de Paris (2015) para cá, as emissões continuam aumentando. Isso reduz as chances de que a elevação da temperatura global média seja mantida nos limites além dos quais os riscos para a vida na Terra crescem exponencialmente. Há ao menos três razões para este paradoxo, que vão influir sobre o panorama socioambiental da próxima década.

A primeira é de natureza geopolítica. O anúncio de Trump de que sairá do Acordo de Paris amplia o isolamento da Europa como portadora da esperança de ‘emissões líquidas zero’ até 2050. Trump fortalece o negacionismo climático de outros governos de extrema direita no mundo e estimula as indústrias fósseis não só nos EUA.

A segunda razão: se é verdade que as renováveis modernas avançam de forma extraordinária na China e na Índia (onde serão instaladas, nos próximos dez anos, o correspondente à energia gerada por 32 Itaipus em solar a eólica) não é menos certo que os interesses ligados à expansão dos fósseis mantêm impressionante força. A China constrói uma usina a carvão a cada três dias e o que ela está implantando a partir de 2019 equivale a todas as usinas a carvão da Europa, cujas atividades devem ser interrompidas para que se atinja a meta de carbono zero até 2050. A transição para a economia de baixo carbono é conflituosa e estes conflitos não tendem a diminuir.

A terceira razão é que, mesmo países em que reduzir drasticamente as emissões não depende de ciência, tecnologia, nem de mudanças na estrutura da produção e do consumo (como é o caso do Brasil em que metade das emissões deriva de desmatamento) terão grande dificuldade em cortar emissões, em virtude da força política das atividades econômicas baseadas na criminalidade, na grilagem e na invasão de terras públicas.

O destino do paradoxo entre os potenciais já oferecidos pela ciência e a inércia dos interesses dominantes não está dado de antemão. Daí a importância tanto dos movimentos sociais (sobretudo os dos jovens) como da tomada de posição de governos sub-nacionais e de empresas (inclusive do setor financeiro e especialmente as companhias de seguro) para as quais os riscos climáticos impõem mudanças significativas em seus modelos de negócios.

 

https://www.nexojornal.com.br/especial/2019/12/20/A-emerg%C3%AAncia-ambiental 22/12/2019

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