Video gravado no dia 28 de junho de 2012, disponível em: http://www.cpflcultura.com.br/2012/06/28/muito-alem-da-economia-verde-ricardo-abramovay/

A ideia de uma possível escassez de recursos naturais e do persistente problema das desigualdades sociais e econômicas entre os povos, colocaram em questão o modelo de desenvolvimento das sociedades contemporâneas. A dificuldade natural de impor limites ao crescimento nos coloca diante de uma reflexão: qual o sentido que queremos imprimir naquilo que fazemos? Produzimos para que e para quem? Neste programa, o sociólogo e economista Ricardo Abramovay aponta para Muito Além da Economia Verde: pensar em novas formas de consumo e em uma ética produtiva que realmente gere benefícios para as sociedades contemporâneas. Fala ainda sobre novas formas de desenvolvimento e a necessidade de se reinventar a economia.

Muito além da economia verde | Ricardo Abramovay from instituto cpfl cultura on Vimeo.

Abandonando as formas arcaicas de fazer negócios, a indústria automobilística depara-se com o extraordinário potencial de transformação para colocar seus produtos a serviço da vida social

Artigo publicado na Revista Página 22 em 08/05/2013, disponível em: http://www.pagina22.com.br/index.php/2013/05/o-automovel-depois-do-carrocentrismo/

É possível recuperar o papel revolucionário que teve o automóvel individual no desenho das cidades, na mobilidade das pessoas e na própria cultura das sociedades contemporâneas? Que os carros particulares tenham perdido este papel já é hoje lugar-comum: ineficientes sob o ângulo energético, vetores do estrangulamento
na circulação, responsáveis por desenhos urbanos desumanizados, é cada vez menos óbvia a associação entre esses veículos e
a liberdade à qual estiveram ligados até meados do século XX.

Optar por essa forma de deslocamento, hoje, envolve um risco crescente de ver-se preso a uma caixa fechada que favorece a emergência do que cada um de nós tem de pior e que Nilton Bonder chama de autoviolência. Além disso, os custos sociais (evidentemente, não pagos) do automóvel individual são exorbitantes: a Technische Universitat, de Dresden, estima-os em nada menos que 373 bilhões de euros anuais, só na União Europeia.

Será possível então que o automóvel, síntese de algumas das mais importantes inovações do século XX, volte a ter um papel fundamental na emergência de cidades sustentáveis e deixe de ser o emblema
da paralisia e do desperdício material e energético a que hoje se vincula?

KPMG e a Roland Berger, duas das mais importantes consultorias globais, mobilizaram suas equipes para ouvir dirigentes da indústria automobilística no mundo todo a respeito desse tema. O resultado é fascinante e mostra uma indústria com um extraordinário potencial de transformação para colocar 
seus produtos a serviço da vida social que, 
ao mesmo tempo, está diante de obstáculos cruciais, que a fazem persistir em formas arcaicas de fazer negócios.

A primeira transformação que já está 
em curso foi batizada pela KPMG de “carro conectado”. As mídias digitais serão decisivas não só no funcionamento da própria máquina, mas, sobretudo, na sua ligação com as cidades, pela possibilidade de indicar onde 
há congestionamentos e quais os melhores horários e trajetos para evitá-los. Na segurança dos veículos e no monitoramento dos próprios motoristas, as tecnologias da informação vão desempenhar papel cada vez mais importante. A eficiência dos motores a combustão interna pode aumentar muito em razão do uso dessas tecnologias. Novos materiais (como fibras de carbono) tornarão os carros mais leves e mais econômicos.

Mas há uma segunda dimensão revolucionária do carro conectado: ela já permite que a economia da partilha ocupe lugar central no uso do automóvel. O estudo da KPMG prevê que em 2026 a partilha será, por exemplo, a opção preferida de um quarto dos brasileiros que usam transporte individual, por meio de sistemas de aluguel baseados em dispositivos móveis, como os que hoje já começam a existir em várias cidades do mundo.

A terceira transformação, mostra a Roland Berger, é que o próprio modelo de negócio das grandes montadoras globais está ultrapassado. Companhias não automobilísticas talvez estejam mais aptas a levar adiante projetos inovadores neste setor. Empresas automobilísticas são mais rígidas e hierarquizadas e mudam com maior dificuldade que as de tecnologia da informação. O atual modelo do negócio automobilístico continua norteado pela oferta: o traço fundamental deste push model consiste em investir cada vez mais em novas fábricas, na expectativa de vender mais e mais carros.

O problema é que, segundo os 
dois estudos, o horizonte de ampliação permanente na produção e venda de automóveis individuais choca-se contra um mercado em estado de saturação. Segundo
a Roland Berger, o mundo tem capacidade para produzir 90 milhões de veículos e a demanda é de apenas 69 milhões. Os dados da KPMG são basicamente os mesmos. Ao mesmo tempo, os dois estudos revelam que, no mundo todo, o carro deixa de ser a grande aspiração de consumo das jovens gerações. E, no entanto, os investimentos para 
ampliar a oferta, sobretudo nos países em desenvolvimento, não cessam de expandir.

Não se trata de preconizar uma sociedade sem carros. Trata-se, sim, de constatar
 que os avanços recentes na conectividade
e na eficiência material e energética dos automóveis só ganharão sentido se estiverem a serviço de cidades organizadas em função das pessoas. E, para isso, a indústria precisa aprender a oferecer serviços de mobilidade, e não cada vez mais carros.

RICARDO ABRAMOVAY É PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA FEA E DO IRI/USP E AUTOR DE MUITO ALÉM DA ECONOMIA VERDE. TWITTER: @ABRAMOVAY

Ricardo Abramovay participou do Jornal da Rádio Record em 19 de abril de 2013. Durante a entrevista a Heródoto Barbeiro,  o jornalista exibiu o instrumento digital que mede a produção de petróleo no mundo.

Veja a matéria em vídeo:

http://noticias.r7.com/record-news/videos/211-jornal-da-record-news/site-mostra-em-tempo-real-o-numero-de-barris-de-petroleo-produzidos-no-mundo/5170a700b61c0a056521faf5/

Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo no dia 08 de abril de 2013, disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1258144-virar-o-jogo-contra-as-mudancas-climaticas.shtml

As sociedades contemporâneas têm hoje a possibilidade real de vitória na luta contra o horizonte catastrófico representado pelas mudanças climáticas.

Esaa visão otimista apoia-se em dois conjuntos de circunstâncias, chamados por Paul Gilding (o celebrado autor de The Great Disruption) de pontos de virada, ou “tipping points”. A expressão refere-se ao acúmulo de fatores que, a partir de certo patamar, revoluciona, de maneira quase sempre irreversível, a dinâmica de um determinado sistema.

Economistas e sociólogos usam-na para explicar alterações bruscas de comportamentos coletivos. E é exatamente disso que se trata quando está em questão a mutação de uma ordem social apoiada em combustíveis fósseis para uma organização em que energias renováveis tenham o papel preponderante.

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Artigo publicado em 11/03/2013 no jornal Folha de S. Paulo, disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/1242924-nao-a-melhor-do-mundo-mas-sim-a-melhor-para-o-mundo.shtml

As mais importantes certificações socioambientais existentes até hoje concentram-se em produtos ou em procedimentos produtivos. No caso do Forest Stewardship Council (o FSC, bastante conhecido no Brasil), por exemplo, o que se assegura é que a madeira ou a celulose foram produzidas em condições que não ferem o meio ambiente e respeitam a dignidade dos trabalhadores do setor.

Um selo orgânico garante que não foram usados fertilizantes químicos ou agrotóxicos no cultivo dos produtos. O “fair trade” (comércio justo) assegura boas condições de trabalho e termos de troca que, mais do que reflexos da oferta e da demanda, embutem a preocupação explícita de que uma parte significativa dos lucros da cadeia em questão vá aos que se encontram na base de sua pirâmide social.

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Artigo publicado em 05/03/2013 no jornal Valor Econômico, disponível em: http://www.valor.com.br/cultura/3031108/o-antropoceno-e-os-limites-da-terra#ixzz2MfyQAZZn

Apesar de seu sabor levemente metafísico, a expressão “busca humana” refere-se a algo que não poderia ser mais concreto: o grande desafio da espécie humana é impedir a supressão das condições biogeofísicas que deram base à civilização tal como a conhecemos. O período interglacial extraordinariamente estável que marcou os últimos dez mil anos é o único estado planetário capaz de oferecer apoio à vida social. É verdade que a existência do homem na Terra vem de muito antes, algo entre cem e duzentos mil anos. Mas foi somente com a amenidade e a estabilidade do clima nos últimos dez mil anos que a revolução neolítica e a fantástica diversificação cultural e material que a ela se seguiu tornaram-se possíveis. Durante estes cem séculos, as variações médias de temperatura nunca foram superiores a um grau.

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Artigo publicado em 04/02/2013 e disponível em: http://pagina22.com.br/index.php/2013/02/o-fim-do-capitalismo-das-organizacoes/

Quem terá o domínio das atividades econômicas do século XXI? A literatura mais recente traz duas respostas polares a esta questão crucial

Pavan Sukhdev, em Corporation 2020, enfatiza o papel cada vez mais importante das corporações na vida contemporânea.
 Seu diagnóstico a respeito das grandes empresas é implacável: até aqui, sua marca emblemática é o ano de 1920, quando foi juridicamente consolidada nos Estados Unidos a ideia de que a firma existe exclusivamente para atender aos acionistas: utilizá-la para cumprir obrigações socioambientais não faz parte das razões de sua existência e pode ser contestado legalmente. (Mais em Procura-se a empresa do futuro e na entrevista concedida por Sukhdev a Página22 na edição 69)

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Após ler o artigo , disponível na coluna Empreendedor Social do jornal Folha de S. Paulo, o economista Inacy Sachs enviou o email abaixo:

Caro Ricardo,

Acabo de ler o seu importante artigo. A conclusão a que cheguei é que não deveríamos tardar na elaboração de um plano mundial de produção e consumo de energia capaz de atender às necessidades de todos os que estão na base da pirâmide social mundial.

Os temas a serem tratados:
a) minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente através de uma escolha apropriada das fontes de energia e das técnicas de produção, substituindo sempre que possível as energias fósseis por energias renováveis (questão em aberto: queremos ou não nos aventurar na energia nuclear?);
b) ao mesmo tempo, limitar o consumo perdulário da energia por parte das elites privilegiadas e os desperdícios que ocorrem ao longo de toda a cadeia de produção, distribuição e consumo.

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O capítulo 2 de Muito Além da Economia Verde aborda o chamado “pico do petróleo”. A expressão é usada para indicar o esgotamento das fontes mais abundantes deste recurso e a dificuldade cada vez maior em se extrair o produto do solo. Desde o segundo semestre de 2012, o ambiente intelectual com relação a este tema mudou muito. Por um lado, vários estudos insistem na ideia de que os recursos minerais do Planeta conhecem inédita volatilidade de preços, graças à insegurança de sua capacidade de suprirem a demanda crescente. Por outro lado, porém, novas tecnologias permitem a exploração de petróleo (e gás) em áreas até aqui pouco acessíveis: é o caso do gás de xisto na América do Norte, pré-sal brasileiro e das plataformas que se instalalam no Ártico. Só que os custos de exploração destes recursos vão aumentando: não só os custos econômicos, mas também os riscos de sua exploração. Este artigo traz uma boa notícia: o notável avanço das fontes menos sujas (gás) e renováveis (eólica e solar) de energia. Mas isso pode tornar-se uma gota d’água no oceano fóssil, como bem o mostra o relatório do Greenpeace.

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